terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Na contramão da política

Fazer Política é escolher prioridades, e escolhas em política exigem muita coragem. É preciso coragem para escolher fazer uma Copa do Mundo em um País carente de serviços básicos, é preciso coragem para para manter determinados Ministros, Secretários e outros servidores comissionados quando suas pastas passam por crises institucionais. É também preciso muita coragem para achar que tudo isso são prioridades! 

Na política de hoje, na qual existe uma clara e descarada troca de apoios por cargos, o famoso toma lá dá cá, um governante que toma a decisão de extinguir cargos, isto é, cabine de emprego para acomodar os interesses de meia duzia de apadrinhados políticos, além de entender bem o significado de prioridades, tem também a coragem para colocá-las em prática. 

O governador reeleito da Paraíba, Ricardo Vieira Coutinho, se mostrou um Político ao fazer exatamente o contrário do que se faz em outros Estados e mesmo na União: acabar com Órgãos que só serviam de cabine de emprego, onerando a máquina pública e unificar Secretarias (como a de planejamento e orçamento - um dos maiores acertos). Essa medida vai trazer aos cofres públicos uma economia de 25 milhões ao ano e, muito além da parte financeira, há o ganho em eficiência ao juntar órgãos que só por necessidade politiqueiras estão separadas. Enquanto o número de aliados do governador aumenta, o número de espaços para acomodá-los diminui, isso nunca foi visto na Paraíba!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Os ensinamentos de Marina Silva nas eleições de 2014.

Marina Silva ensinou muitas coisas nessa última eleição de 2014, aliás, ela apenas confirmou o que muitos, sobretudo, a classe política, já sabiam: não há espaço para ingenuidade no mundo político, em especial, numa campanha eleitoral.

Primeiro ensinamento: Marina achou que tempo de tevê é algo não tão importante. Essa crença se alimentou do pleito de 2010, no qual ele teve ainda menos tempo e mesmo assim obteve uma bela votação, surpreendendo. Mas o que ela não entendeu foi que em 2010 ela nunca chegou a ameaçar a polarização; a ameaça em 2014 a colocou em uma luta desproporcional, haja vista as armas de seus adversários. Segundo ensinamento: evitar subir no palanque de candidatos a governador de outros partidos, isso em nome de uma suposta coerência exigida, mas não reconhecida, pelos seus eleitores potenciais; ela achou que a coerência seria uma boa moeda de troca em um País de eleitores despolitizados. Terceiro ensinamento: ter lançado um programa de governo e, principalmente, de tê-lo corrigido algumas vezes após publicá-lo; dizer o que pretendia fazer foi mostrar onde deveria ser atacada, até porque ela já conhecia nesse momento da campanha o modus operandi da coligação candidata a reeleição (que não cometeu o mesmo "erro").

Marina Silva, por fim, ensinou o que todo mundo já sabe: os políticos são reflexos dos seus eleitores, eleitores esses que se esforçam para exigir aquilo que eles próprios não foram (ou não são) capazes de fazer - boas escolhas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Encontro dos governadores do Nordeste: os primeiros passos.


O governador Ricardo Coutinho, PSB, liderou o encontro de governadores eleitos do Nordeste aqui na Paraíba. Dois passos importantes foram dados, o primeiro foi a união das maiores autoridades dos noves Estados do Nordeste. O foco foi o desenvolvimento dessa região que, apesar de ser a que mais cresce, é ainda a mais carente do Brasil. Essa união, caso seja levada à sério, tem tudo para trazer grandes conquistas, visto a força que a região tem e terá ainda mais sobre a presidenta Dilma que, aliás, foi reeleita graças ao Nordeste.

O segundo passo foi dado pelo governador, o único reeleito do Nordeste, Ricardo Vieira Coutinho. Ele começa a dar seus primeiros passos no sentido de, primeiro, torna-se a maior liderança do seu partido (PSB), o que não é difícil, visto que os maiores nomes da legenda não fazem mais parte - Eduardo Campos, que faleceu; e os irmãos Gomes, que estão em outra legenda. O segundo passo é ventilar seu nome para além das fronteiras da Paraíba. O objetivo? Ter um papel de destaque e à altura da gestão que ele vem fazendo na Paraíba em 2018!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A vitória de Vital, a baixa da Paraíba

Vital do Rego Filho, senador da Paraíba, presidente da CCJ, presidente de duas comissões de inquérito, ou o senador paraibano mais influente no senado federal das últimas décadas.

Como presidente da comissão mais importante do senado, CCJ, fez pouco (pelo seu Estado). Como presidente da CPI e da CPMI da Petrobras, idem. Aliás, nesse último caso, ele conseguiu a proeza de investigar o maior escândalo de corrupção já revelado e não descobrir nada. Todavia sua influência rendeu-lhe um prêmio: torou-se Ministro do TCU. Ele agora vai julgar as contas do Governo e de sobra terá um cargo vitalício com muitas benesses, além do status de Ministro até seus 70 anos, hoje ele tem apenas 51 anos.

Pois bem, ele vai deixar um mandato pela metade dando lugar a seu suplente, Raimundo Lira (PMDB), que, além de não ter tido um voto se quer, não mora nem na Paraíba, mas sim em Brasília, onde é empresário. Ambos ganharam com isso. Mas nós, eu e você, eleitores, e mais que isso, a Paraíba, o que ganha com isso tudo? Com ou sem ele, nada mudará!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O paradoxo da reforma política

Diz o ditado popular: quando um não quer, dois não brigam. Na política, no entanto, essa máxima deixa de fazer qualquer sentido, pois tanto os políticos quanto os seus eleitores buscam reformá-la e mesmo os dois querendo nada muda. A coisa fica ainda mais esquisita quando olharmos com mais cuidado, já que, na verdade, existe apenas um: o povo - que é eleito e o eleitor e mesmo assim nada acontece, ou seja, há uma unanimidade esquizofrênica. Essa enfermidade, além disso, alimenta ainda a ideia de vitimismo - o povo acha-se vítima de si mesmo, por sua própria inação.


A reforma política institucional poderia ser completamente desnecessária. Não precisamos que seja proibido coligações proporcionais ou alianças partidárias por tempo de tevê ou ainda o fim da reeleição. Nada disso precisaria ser ser lei. Bastaria apenas uma coisa: consciência  política! Se o povo, digo, eu e você, fosse educado politicamente, não seria preciso uma lei proibindo coligações partidárias, por exemplo, pois bastaria saber o que é uma coligação, como funciona, quem faz parte dela, o que defende e o que já fez. A partir disso, as chances de erros minimizariam.


A reforma política é uma tentativa do povo não ser vítima de si mesmo: mudem as regras do jogo, grita eu e você, para que nós não cometamos os mesmos erros novamente. 

Rubens Sotero