quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Dos 12 esquecimentos

Muito se reclama dos políticos, mas muitos desses que reclamam, meses ou mesmo dias após a eleição, não se lembram mais em que votou  e, em alguns casos, nem mesmo procuram saber se aquele em que votou foi eleito. Além disso, tem aqueles que não votam e aqueles que votam, mas como seu candidato não foi eleito, acham que não elegeram ninguém. 

Na última campanha apenas três Deputados Federais, na Paraíba, tiveram votos suficientes para não depender da votação da legenda, quais sejam, Pedro Cunha Lima (PSDB), Veneziano (PMDB) e Aguinaldo Ribeiro (PP). Ou seja, os demais eleitos - Hugo Mota (PMDB), Manuel Jr. (PMDB), Wellington Roberto (PR), Efraim Filho (DEM), Wilson Filho (PTB), Rômulo Gouveia (PSD), Luiz Couto (PT), Damião Feliciano (PDT) e Benjamim Maranhão (SD) - só tiveram êxito por causa da coligação. Dessa forma, se o seu candidato a Federal não foi eleito, muito provavelmente algum da coligação dele o foi e com o seu voto, então, sim, você elegeu um Deputado Federal. Mas aí que está o problema, quem se preocupa em saber o que é uma coligação ou em qual coligação o seu candidato estava ou menos quem dessa coligação foi eleito? 

No primeiro dia de fevereiro de 2015 os 12 Deputados Federais pela Paraíba foram esquecidos por muito de seus eleitores. Mas talvez seja por isso que eles (os que esquecem) culpem e cobrem dos políticos, no caso, Deputados, afinal, algum entre os eleitos teve seu voto, mas isso é se torna apenas um detalhe. Falando em esquecimento, quem foram os 36 Deputados Estaduais eleitos?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Na sombra

O prefeito da capital da Paraíba, Luciano Cartaxo, PT, mudou pelo menos duas vezes seu mantra. Durante a eleição municipal de 2012, na qual o governador Ricardo Coutinho, PSB, era acusado, de forma pessoal, de ditador, isto é, que não dialogava, que impõe, o então candidato, Cartaxo, surfou essa onda e a cada frase proferida em entrevistas fazia questão de colocar de forma bem enfática a palavra "dialogo" em suas mais variadas formas. Foi a a maneira que ele encontrou de se diferenciar (mesmo RC não sendo o candidato oficial).
A estrategia funcionou. claro que houve outras variáveis, mas Cartaxo ganhou a eleição. O mantra, no entanto, deixou de fazer sentido quando o candidato a reeleição ao governo da Paraíba, Ricardo Coutinho, conseguiu se livra das críticas mostrando-as como infundadas a partir das ações de seu governo. Dessa forma, o prefeito, Cartaxo, assim que percebeu isso, mudou a sua estrategia e dessa vez, ao invés de se contrapor ao governador, quis "imitá-lo", até porque, estavam todos juntos. Desde a convenção da aliança o prefeito surfou a mesma onda do governador e a cada frase proferida encontra-se a palavra "trabalho", essa palavra tornava-se ainda mais frequente na boca do prefeito a cada pesquisa que o governador subia. Após a vitória da coligação "a força do trabalho", o prefeito se obrigou a colocar a palavra trabalho a cada cinco outras palavras numa mesma frase.
O que há de comum entre esses dois "mantras", dialogo e trabalho, além da sombra do governador, é que ambos são apenas palavras vazias na boca do prefeito. Quando dizia dialogar cometeu muitos atos autoritários, a exemplo da retirada da lei do IPT proporcional do Vereador Raoni, PDT. Já quando passou a "trabalhar" o que se viu foi inauguração de 200 m de rua. Prefeito, seu próximo mantra será: comparação. Mas deveria ser: inauguração de grande obras.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Quem paga a conta?

Que o ano de 2015 vai ser um ano difícil para a economia todos já sabem, o que poucos não sabem, é que há um responsável direto por isso e não me refiro apenas a crise mundial, mas sim ao modelo econômico passado do governo atual. Uma economia baseada no consumo, um PIB sustentado pelo agronegócio, exportações de matérias primas, falta de investimentos em ciência/tecnologia e infraestrutura de portos, aeroportos e estradas. Junte isso aos desmandos na política e teremos a receita para tornar um País emergente vulnerável.
O pior não é isso. O governo que continuou e/ou levou o País a essa situação foi reeleito justamente afirmando que não mudaria. Porém, para surpresas de muitos, ele mudou (e não disse porquê). Agora está usando a receita que criticou para ajustar o que considerava um acerto. Criação e aumento de impostos, cortes em direitos trabalhistas e arrochos em outras áreas essências como educação (sem falar no descumprimento da lei de responsabilidade fiscal) foi o que sobrou para o início de 2015.
Errar e pedir desculpas é algo louvável, mas errar, não pedir desculpas, não se explicar e mesmo assim obrigar os demais a resolverem o erro alheio é no mínimo uma covardia. O governo fez a festa  (ou o diabo) e endereçou a fatura para eu e você sem perguntar. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Xadrez político na Paraíba

O Prefeito da capital, Luciano Cartaxo e o Governador do Estado, Ricardo Coutinho são as duas principais peças para as próximas eleições. Nesse jogo, há alguns movimentos que precisam ser ensaiados com bastante cuidado antes de se antecipar um xeque-mate. Há pelo menos três movimentos a se observar.
Primeiro, o PSB do Governador apoia o atual Prefeito em sua reeleição em 2016, com um vice socialista (uma chapa praticamente vencedora). O prefeito reeleito se descompatibiliza do cargo em 2018 para concorrer ao Governo e o vice do PSB assume a Prefeitura e juntamente com Ricardo Coutinho apoia Cartaxo ao Governo. Segundo, com os mesmo passos do anterior, mas acontece algum fato e Ricardo e o então prefeito do PSB resolvem não apoiar Cartaxo ao governo. Resultado, Cartaxo ficaria sem força política. O terceiro movimento, Cartaxo fazer o vice do PT, dispensando o PSB, e caso ganhe a campanha, sairia em 18 e teria apoio do Prefeito da capital em sua candidatura ao governo do Estado, mas sem o apoio de Ricardo.
Esses movimentos dependem de uma única coisa: aprovação dos mandatos. Se a aprovação do mandato de Cartaxo no início de 2016 estiver acima dos 70%, dificilmente o PSB lançará um nome para concorrer contra o prefeito, a menos que Cartaxo prefira um vice do PT. Se no mesmo ano a aprovação do mandato do governador na capital estiver próximo aos 70%, dificilmente Cartaxo irá recusar um vice socialista. Porém, caso a administração dos dois estejam muito abaixo disso, muito provavelmente eles irão concorrer entre si, e a vitória do PSB inviabilizará uma candidatura de Cartaxo em 18, e caso Cartaxo vença, Ricardo dificilmente o apoiaria em 18, sobretudo se sua aprovação aumentar, como parece que vai ser o caso. Caso a aprovação do Governo do estado chegue em 18 próximo aos 80%, já está decidido: Ricardo terá um sucessor socialista.

Para 2016 os demais partidos não têm nomes melhores do que os quadros do PSB e do PT. Em 18, a preço de hoje, só há Cartaxo e quem sabe (Waldson Souza ou João Azevedo – PSB). Cássio Cunha Lima só terá chances se as duas principais peças desse jogo forem colocadas em xeque.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Ministros e secretários: a diferença.

Tanto Dilma, quanto Ricardo Coutinho foram reeleitos apenas no segundo turno, um apoiando o outro. Ambos fizeram alianças, ambos prometeram um governo mais eficiente. O novo mandato mal iniciou e as diferenças começaram a aparecer.
Enquanto Dilma, mesmo querendo economizar, não mexeu em nenhuma estrutura governamental, o governador Ricardo, enxugou a máquina. Enquanto a presidenta ofereceu mistérios importantes à aliados políticos, o governador fez questão de formar uma equipe técnica; a primeira colocou políticos em cargos técnicos, o segundo, colocou políticos em cargos políticos e técnicos em pastas técnicas. A presidente preferiu cortar benefícios dos trabalhadores (desdizendo tudo o que disse na campanha), enquanto o governador deu dez dias para se diminuir 20% dos gastos com veículos e 30% com locação de imóveis. Enquanto lá em cima os partidos exigem sempre mais espaços e, mais que isso, uma cadeira cativa, aqui em baixo o governador fez questão de deixar bem claro que não haverá espaço para aqueles que não atingirem as metas.
Como toda causa tem um efeito, podemos inferir que a equipe de governo de Ricardo Coutinho sendo mais técnica e mais qualificada do que o do primeiro mandato teremos um governo ainda mais operoso, tornando verdade o que ele prometeu: fazer o melhor mandato de sua vida. Já a presidenta Dilma, por ter, pelo menos aparentemente, piorado sua equipe ministerial, podemos esperar um governo ainda pior do que o primeiro. Ambos mudaram: um para melhor, a outra para pior. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Na contramão da política

Fazer Política é escolher prioridades, e escolhas em política exigem muita coragem. É preciso coragem para escolher fazer uma Copa do Mundo em um País carente de serviços básicos, é preciso coragem para para manter determinados Ministros, Secretários e outros servidores comissionados quando suas pastas passam por crises institucionais. É também preciso muita coragem para achar que tudo isso são prioridades! 

Na política de hoje, na qual existe uma clara e descarada troca de apoios por cargos, o famoso toma lá dá cá, um governante que toma a decisão de extinguir cargos, isto é, cabine de emprego para acomodar os interesses de meia duzia de apadrinhados políticos, além de entender bem o significado de prioridades, tem também a coragem para colocá-las em prática. 

O governador reeleito da Paraíba, Ricardo Vieira Coutinho, se mostrou um Político ao fazer exatamente o contrário do que se faz em outros Estados e mesmo na União: acabar com Órgãos que só serviam de cabine de emprego, onerando a máquina pública e unificar Secretarias (como a de planejamento e orçamento - um dos maiores acertos). Essa medida vai trazer aos cofres públicos uma economia de 25 milhões ao ano e, muito além da parte financeira, há o ganho em eficiência ao juntar órgãos que só por necessidade politiqueiras estão separadas. Enquanto o número de aliados do governador aumenta, o número de espaços para acomodá-los diminui, isso nunca foi visto na Paraíba!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Os ensinamentos de Marina Silva nas eleições de 2014.

Marina Silva ensinou muitas coisas nessa última eleição de 2014, aliás, ela apenas confirmou o que muitos, sobretudo, a classe política, já sabiam: não há espaço para ingenuidade no mundo político, em especial, numa campanha eleitoral.

Primeiro ensinamento: Marina achou que tempo de tevê é algo não tão importante. Essa crença se alimentou do pleito de 2010, no qual ele teve ainda menos tempo e mesmo assim obteve uma bela votação, surpreendendo. Mas o que ela não entendeu foi que em 2010 ela nunca chegou a ameaçar a polarização; a ameaça em 2014 a colocou em uma luta desproporcional, haja vista as armas de seus adversários. Segundo ensinamento: evitar subir no palanque de candidatos a governador de outros partidos, isso em nome de uma suposta coerência exigida, mas não reconhecida, pelos seus eleitores potenciais; ela achou que a coerência seria uma boa moeda de troca em um País de eleitores despolitizados. Terceiro ensinamento: ter lançado um programa de governo e, principalmente, de tê-lo corrigido algumas vezes após publicá-lo; dizer o que pretendia fazer foi mostrar onde deveria ser atacada, até porque ela já conhecia nesse momento da campanha o modus operandi da coligação candidata a reeleição (que não cometeu o mesmo "erro").

Marina Silva, por fim, ensinou o que todo mundo já sabe: os políticos são reflexos dos seus eleitores, eleitores esses que se esforçam para exigir aquilo que eles próprios não foram (ou não são) capazes de fazer - boas escolhas.