quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O paradoxo da reforma política

Diz o ditado popular: quando um não quer, dois não brigam. Na política, no entanto, essa máxima deixa de fazer qualquer sentido, pois tanto os políticos quanto os seus eleitores buscam reformá-la e mesmo os dois querendo nada muda. A coisa fica ainda mais esquisita quando olharmos com mais cuidado, já que, na verdade, existe apenas um: o povo - que é eleito e o eleitor e mesmo assim nada acontece, ou seja, há uma unanimidade esquizofrênica. Essa enfermidade, além disso, alimenta ainda a ideia de vitimismo - o povo acha-se vítima de si mesmo, por sua própria inação.


A reforma política institucional poderia ser completamente desnecessária. Não precisamos que seja proibido coligações proporcionais ou alianças partidárias por tempo de tevê ou ainda o fim da reeleição. Nada disso precisaria ser ser lei. Bastaria apenas uma coisa: consciência  política! Se o povo, digo, eu e você, fosse educado politicamente, não seria preciso uma lei proibindo coligações partidárias, por exemplo, pois bastaria saber o que é uma coligação, como funciona, quem faz parte dela, o que defende e o que já fez. A partir disso, as chances de erros minimizariam.


A reforma política é uma tentativa do povo não ser vítima de si mesmo: mudem as regras do jogo, grita eu e você, para que nós não cometamos os mesmos erros novamente. 

Rubens Sotero